Palavra:   A Cidade Encantada
Lição:   Literatura Tradicional - Narrativo
Texto:   De entre as narrativas que uma Criada dos tempos do Bisavô me repetia em criança e que eu mais tarde ouvi, com detalhes e pormenores interessantes, da boca do Povo, a lenda da Cidade Encantada foi aquela que mais me impressionou e seduziu...
Quando a boa Velhinha, satisfazendo a minha curiosidade infantil, descrevia as ruas amplas e bem lançadas, ladeadas por palácios magníficos, com seus Templos majestosos, com a sua vida agitada de grande fulcro de civilização, lá nos abismos do oceano, eu ficava, cismando, com o coração confrangido e, quanta vez, na minha ingenuidade, pedia sinceramente a Deus para que permitisse que numa dessas noites de S João, quando dizem que a cidade submergida sobe à flor da água e os sinos dos seus Templos clamam na voz forte dos bronzes, e em todos esses seus Palácios esplendorosos lampejam fogos de mil cores e sobem aos ares preces e louvores, não mais volvesse para as profundezas do Atlântico a cidade um dia, nos séculos que se perderam no rolar dos tempos, desaparecida com esse Continente que, dizem, dos mares da Madeira se estendia a terras distantes... E ficava a cismar na vida da Cidade Encantada no fundo do mar, há séculos e séculos e no lendário Continente que ora as águas cobrem...

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Selecção de texto: Rui Honorato e Licínia Romeira
Ilustração: Maria José Jardim
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