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Literatura



Escritor: Francisco Nóbrega


- Nasceu em Machico no ano de 1772.

- Viveu no Funchal e Lisboa, tendo morrido na capital do Reino em 1806, de lepra e de outras maleitas menos visíveis.

O Poeta e o seu tempo

Diversos factores, de diferente ordem, concorreram para tornar dura e difícil a curta existência do poeta: o temperamento profundamente sensível, a doença cruel que o atacou e, por outro lado, as lutas ideológicas da época que o envolveram e conduziram a consequências embaraçosas e funestas.

Foi um ciclo de crise, esse período que sucedeu imediatamente à queda de Pombal, conquanto a Rainha Piedosa tenha querido insuflar de paz e sossego o seu operoso e difícil governo.

A própria legislação sofrera então reforma profunda.

Muitos dos que ontem dominavam, logo eram arguidos de supostos crimes e perseguidos por imaginárias faltas.

Sopravam ventos perigosos de França Revolucionária, que despojara com violência o manto real.

Era, pois, de aconselhar uma vigilância apertada aos actos, escritos e ao pensamento dos homens, mesmo que eles publicamente confessassem publicamente sua fidelidade.

As lutas politicam e religiosas tomavam o primeiro plano, antes que surgissem as questões sociais, com seu largo estendal de problemas de diversa ordem.

A época em que viveu Francisco Álvares de Nóbrega foi, justamente, um desses períodos de transição, entre a violenta expulsão dos jesuítas, a instalação de lojas maçónicas, a luta entre o poder civil e o eclesiástico, tantas vezes confundido ou reunido numa só pessoa.

D. Maria I, mandara, por intermédio do primeiro-ministro, José Seabra da Silva, que se estabelecesse o ataque à intromissão de ideias perniciosas, visando, sobremaneira, os pedreiros – livres, que já haviam atormentado seus antecessores no trono.

No respeitante à Madeira, a ordem viera por intermédio do Tribunal de Santo Oficio em dois editais, respectivamente de Agosto de 1791 e de Abril de 1792.

Afixaram-se as determinações à porta das igrejas, como era de costume, convidando-se os que seguiam ideias perigosas a se apresentar ao Comissário da Inquisição, João Lourenço de Afonso, que de propósito de deslocar à Ilha para proceder às inquirições.

Era governador-geral da Madeira D.Diogo Pereira Forjas Coutinho e Bispo da Diocese, D. José da Costa Torres.

Ambos, cumprindo uma ordem emanada do Governo Central, põem em execução as indicações recebidas e, todavia, - como se escreve a história! – Nenhuma queixa, dos que foram apontados, justa ou injustamente pela denúncia, visa o Governador, mas somente o caluniado Prelado.

Era homem corajoso e não poupava, sobretudo, os eclesiásticos, quando estes, esquecendo os deveres do cargo, mostravam-se simpatizantes da Maçonaria, e dai a agitada questão com o Deão da Sé do Funchal, Dr. João Francisco Lopes Rocha, de quem se conhece a célebre carta ao ministro José Seabra da Silva, publicada em Londres, em 1822, no “Campeão Português”.

Os inimigos não lhe perdoariam e o Bispo teve de sair precipitadamente da Madeira, diz-se num documento da época, “na noite de 6 de Outubro de 1796, sem se despedir de pessoa alguma, nem no Santíssimo Sacramento”.

Francisco Álvares de Nóbrega nasceu em Machico a 30 de Novembro de 1772.

Eram seus pais, Domingos de Nóbrega Barreto e Ana Rita de Sampaio; ele natural da freguesia de Nossa Senhora do Calhau (Santa Maria Maior) e ela de Machico; era neto materno de Manuel Nascimento, da freguesia de Santa Cruz e de Antónia Barbosa de Sampaio, neto paterno de Filipe de Nóbrega, de Gaula e de Maria da Silva, do Caniço.

Casara Domingos de Nóbrega na freguesia de Nossa Senhora do Calhau e pouco tempo depois enviuvara, passando-se então a Machico, onde se consorciaria com Ana Rita.

“Era oficial de sapateiro e Condestável da Fortaleza de S. Joham desta vila” – diz o pároco Matheus Joaquim de Sousa Ribeiro num documento paroquial de 1793.

O cargo de Condestável, embora fosse meramente representativo, dá-nos a entender que disfrutava razoável posição social na vila de Machico.

Morava o casal à Rua dos Moinhos, no Sitio da Banda D´Alem.

Aprendera o Jovem Francisco Álvares a primeiras letras em Machico ,e aspirando a outro meio e a novos horizontes, acedera o pai em mandá-lo para o Funchal, onde se empregaria na loja de fazendas de um abastado comerciante Marcos João de Ornellas.

Francisco Álvares de Nóbrega, que orçava então pelos 20 anos, matricular-se-ia no Seminário a 6 de Janeiro de 1793.

Reportemo-nos ao ambiente criado pela Maçonaria na Madeira e pelas medidas tomadas então pelo Governo de D.Maria I contra a instalação de lojas maçónicas.

As responsabilidades imputadas ao Bispo ficam sensivelmente diminuídas, se atendermos ao papel que as autoridades civis e religiosas desempenhavam de colaboração no plano dos trabalhos.

A sua Vida

Francisco Álvares de Nóbrega nasceu em Machico a 30 de Novembro de 1772.

Eram seus pais, Domingos de Nóbrega Barreto e Ana Rita de Sampaio; ele natural da freguesia de Nossa Senhora do Calhau (Santa Maria Maior) e ela de Machico; era neto materno de Manuel Nascimento, da freguesia de Santa Cruz e de Antónia Barbosa de Sampaio, neto paterno de Filipe de Nóbrega, de Gaula e de Maria da Silva, do Caniço.

Casara Domingos de Nóbrega na freguesia de Nossa Senhora do Calhau e pouco tempo depois enviuvara, passando-se então a Machico, onde se consorciaria com Ana Rita.

“Era oficial de sapateiro e Condestável da Fortaleza de S. Joham desta vila” – diz o pároco Matheus Joaquim de Sousa Ribeiro num documento paroquial de 1793.

O cargo de Condestável, embora fosse meramente representativo, dá-nos a entender que disfrutava razoável posição social na vila de Machico.

Morava o casal à Rua dos Moinhos, no Sitio da Banda D´Alem.

Aprendera o Jovem Francisco Álvares a primeiras letras em Machico ,e aspirando a outro meio e a novos horizontes, acedera o pai em mandá-lo para o Funchal, onde se empregaria na loja de fazendas de um abastado comerciante Marcos João de Ornellas.

Francisco Álvares de Nóbrega, que orçava então pelos 20 anos, matricular-se-ia no Seminário a 6 de Janeiro de 1793.

Reportemo-nos ao ambiente criado pela Maçonaria na Madeira e pelas medidas tomadas então pelo Governo de D.Maria I contra a instalação de lojas maçónicas.

As responsabilidades imputadas ao Bispo ficam sensivelmente diminuídas, se atendermos ao papel que as autoridades civis e religiosas desempenhavam de colaboração no plano dos trabalhos.

O Dr. José de Arriaga na sua “História da revolução portuguesa de 1820” informa que em 1770 havia já uma loja maçónica na Madeira, da qual faziam parte Aires de Ornelas Frazão, Francisco de Alincourt e Bartholomeu Andrieux.

Em 1779 começaram a aparecer denuncias na inquisição de Lisboa, sobre a existência de lojas maçónicas na Madeira.

A perseguição aos pedreiros – livres inicia-se, pois, na Madeira em 1792 com a publicação do edital que convidava todos os que dele tinham conhecimento a denunciarem as pessoas que defendiam princípios contra a segurança da pessoa real e da religião.

Chovem as denuncias: umas falsas, outras deformadas, algumas verdadeiras.

Aproveita-se a ocasião para exercer vinganças e represálias sobre pessoas inocentes , atribuindo-lhes afirmações que comprometiam gravemente.

As denuncias revelam, às vezes muita maldade e também muita ingenuidade e insensatez, como esta do capitão José Luíz de Freitas Nunes, do Estreito de Câmara de Lobos :”por me achar doente e não poder ir à cidade , e por me livrar da Excomunhão imposta, por isso faço a minha denuncia por escrito que Vm..e aceitará pela circunstancia dela.

Primeiramente denuncio que tendo suspeita e se dizerem que meu filho o Dr. João Pedro era pedreiro – livre e eu repreender pelo que diziam, me disse não era tal e que aquilo era um segredo de Salomão para se conhecerem uns aos outros , e os valerem; em outra ocasião achando-se na minha casa o meu filho e o Dr. Jardim, este fizera um brinde à saúde de todos os seus amigos que estavam na redondeza do mundo, de que logo suspeitei serem pedreiros livres.

Também ouvi dizer que Manuel Pestana o morte desta freguesia fora saber de duas feiticeiras num furto que lhe fizeram, e João Rodrigues o Castelhano fora também meter o D.o para lhe saber o mesmo”.

Filiara-se na Maçonaria – facto que não era de estranhar na época, posto que o movimento se intitulava puramente filantrópico, até que a acção subterrânea de algumas lojas, provocaria reacções notórias, obrigando o Papa a proibir a entrada eclesiásticas e católicos na associação dos pedreiros-livres.

Jaime Moniz afirma no estudo sobre o poeta que este “foi despedido e preso para o Aljube de Lisboa por causa de uns versos que se ouviram da boca dele.

A atmosfera que pairava e o modo como eram feitas as denuncias levam-nos a crer que as palavras atribuídas ao poeta, num documento transcrito, não correspondiam inteiramente á verdade, mas envolvem um propósito de empurrar o vate para o cárcere, evitando, por outro lado, que continuasse a destilar seu humor sobre as entidades visadas.

Certo é que cinco anos depois, vamos encontrá-lo preso no limoeiro.

A acção de Pina Manique ia no seu termo e já fundamente atingida no fastigio pelas abusivas intromissões napoleónicas.

Ao regente D.João VI, Príncipe do Brasil, dedica da cadeia do Limoeiro , 15 sonetos impetrando o perdão.

Inúmeros poetas desta época atribulada recorrem á poesia para petições e impe tracções.

Contraíra, não sabemos quando e onde, uma terrível enfermidade a lepra à qual se refere em diversos passos da sua obra.

O facto profundamente trágico, decorrido em 1806, teve por cenário o modesto quarto da casa do seu protector Moreira Baptista , na calçada de S.João Nepomuceno em data não identificada.

Dois anos antes publicara as suas “Rimas”, que reflectem uma doce e pura inspiração e são o brado angustioso duma vida desgraçada.

A sua Obra

Nascido na então Rua dos Moinhos, a 30 de Dezembro de 1773 e não 1772 como por erro tem sido informação comum, foi poeta e Machiquense de craveira Nacional, dai ser conhecido pelo “Camões Pequeno”.

O tempo histórico da sua existência física foi a transição entre o absolutismo esclarecido e a nova era marcada pelos ideais liberais. Por este facto, as suas ideias avançadas para a época, tornou-o vitima de calúnias e intrigas, trouxe-lhe a amargura , a perseguição e a morte.

Foi um poeta marginalizado, porque saiu da mediocridade da sua época.

Deixou a casa paterna e acolheu-se no Funchal na casa de Marcos João de Ornelas(1792) onde se empregou uma loja de fazendas.

Dado o seu talento ingressou no seminário, ajudado por aquele benemérito, pois revelva capacidade de génio “poético, livre e largo”.

Foi acusado de pertencer à maçonaria, mas isso nunca se confirmou.

Morre em Lisboa, em 1806, após ter estado na prisão do Limoeiro.

O preço da sua liberdade trouxe-lhe a morte.

Da sua obra “Rimas” só estas chegaram, até nós, graças ao seu amigo livreiro José Moreira Pinto Baptista, a quem foi oferecida a 1ª edição, Lisboa, 1804, em sinal de reconhecimento.

Incensar a Grandeza intumescida
Consagrando à Lisonja o seu volume,
È de muitos autores vil costume,
È de todos vererda assas batida
Porem, Baptista, meu minha guarida,
Aos pés calcando de Lisonja o Nume,
Busco ao que tem ouvido o meu queixume,
E me tem adoçado o fel da vida.
Tu, deste revoltoso mar profundo,
Em que meu batel naufrago soçobra,
Tens sabido evitar que o roce o fundo.
Dos meus trabalhos ténue fruto cobra,
Com o teu Amigo vai girar o Mundo;
Salvaste o teu Autor,(1) salva-lhe a obra.

A 2ª edição foi publicada em 1850, no Funchal, por Januário Justiniano de Nóbrega, seu sobrinho poeta.

O estudo da biografia deste incompreendido génio, deve-se ao jornalista Alberto F. Gomes que em 1958 trouxe ao conhecimento publico um estudo mais aprofundado e a publicação da 3ª edição pelo semanário “Voz da Madeira”.

Contudo, em 1954 também a Câmara Municipal de Machico, sob a presidência do Eng.º Ricardo Vasconcelos, baptizou o Miradouro da Queimada de F.A. Nóbrega, e lá colocou um livro mármore com o seu famoso poema.

Na fralda de dois íngremes rochedos,
Que levantam aos Céus fronte orgulhosa,
Existe Machim a Vila idosa
Povoada de escassos arvoredos.
Pelomeio, alisando alvos penedos,
Desce extensa ribeira preguiçosa,
Porem, tão crespa na estação chuvosa
Que aos incolas infunda respeito e medo.
Às margens dela em hora atenuada,
Vi a primeira luz do sol sereno,
Em pobre sim, mas paternal morada.
Aos trabalhos me afis desde pequeno
O abrigo deixei da Pátria amada
E vim ser feliz neste terreno.

A 4ª edição do livro “Rimas” foi editado em 1987 pela Câmara Municipal.

Segundo Inocêncio Francisco da Silva “Poucos poetas houve entre nós que o igualassem e menos que o excedessem”.

A 5ª edição do livro “Rimas” foi editado em 1995 pela Arguimadeira.

 
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